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sábado, 20 de abril de 2013

O Estudante Papagaio



            Nas nossas universidades, em Moçambique, abunda uma espécie de estudante talvez pouco conhecida mas muito comum: o estudante papagaio. Esta categoria de estudantes carrega o adjectivo “papagaio” por uma simples razão. Alguns papagaios têm uma excelente capacidade de imitar a fala humana embora não tenham a corda vocal. O Estudante papagaio se assemelha ao papagaio por essa capacidade de imitação. Este tipo de estudante tem uma grande capacidade de memorizar tudo o que o seu docente fala durante a aula e orgulha-se quando consegue repetir as mesmas palavras proferidas pelo seu docente, quer seja perante os outros, quer seja no teste de avaliação.

            Por ser um grande imitador, o estudante papagaio não tem ou não desenvolve uma capacidade crítica, para além de não conseguir formular uma opinião de qualquer assunto que seja. As opiniões do estudante papagaio são formuladas pelos seus ídolos. Ele simplesmente as reproduz como se fossem suas, defendendo com unhas e garras. Se esta espécie de estudante mal consegue formular uma opinião, o que dizer da escrita? O estudante papagaio não escreve. Este pode se formar durante quatro ou cinco anos sem ter escrito pelo menos um artigo ou texto de sua livre e espontânea vontade. Quando vemos um estudante papagaio escrever é porque foi recomendando pelo seu docente. 


            O estudante papagaio não está preocupado com o conhecimento, mas sim com as notas. Ele quer o mais rapidamente possível ostentar o título de doutor para obter um grande emprego e ganhar muito dinheiro. Esta é a grande motivação de um estudante papagaio. Por isso não quer ouvir falar da palavra “voluntário”. Este tipo de estudante não se mete em coisas que não dão dinheiro, coisas como associações, movimentos, núcleos. Na verdade, ele não se envolve em causas sociais. O que acontece na sociedade não lhe diz respeito, isto é, quando não lhe atinge é problema dos outros. Querer forçar o estudante papagaio a se juntar a uma causa é um exercício enorme que acaba quase sempre em frustração. Um estudante papagaio pode se formar sem ter assistido uma palestra sequer na sua faculdade. Como disse ele não está preocupado com o conhecimento, mas sim com as notas. Nas palestras o que acontece é que não há distribuição de notas, daí a razão de ele não participar.

            Os estudantes papagaios são os preferidos dos nossos políticos, isto porque se conformam com tudo que acontece na sociedade. Estes não criticam, não analisam e são demasiadamente passivos por isso não constituem ameaça. Estes são os estudantes papagaios, a maior população das universidades em Moçambique.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A Interdependência social

Uma sociedade é como uma selva (os mais fortes dependem dos mais fracos para sobreviverem); é como um ciclo; é como um labirinto, no qual os indivíduos diambulam em diferentes lugares acabando sempre no mesmo lugar. Quem nunca encontrou indivíduos conhecidos em lugares que nunca esperou encontrar?
Em lugares físicos (na rua; num restaurante, entre outros), em situações relacionais (laços distantes de familiaridade, etc) muitas vezes ficamos surpresos com as pessoas que vamos encontrando e a pergunta que as pessoas muitas vezes fazem é: “tu aqui?”. É incrível que ainda não tenhamos percebido que os indivíduos que compõem uma determinada sociedade estão interligados, interrelacionam-se, mesmo quando implicitamente.
Quando se fala em sociedade refere-se basicamente a indivíduos em interacção, o que significa que os indivíduos que compõem uma sociedade sempre interagem entre si.

Mas em que situações é evidenciada a interacção?
Um exemplo muito prático seria da interacção entre um empresário muito bem-sucedido e o seu empregado doméstico.
No grande público (pessoas comuns), o empresário é muitas vezes visto como alguém muito independente; alguém que “pode tudo” e infelizmente é comum que existam patrões que desvalorizem o trabalho dos seus subordinados, tratando-os com desrespeito...mas o que seria desse empresário sem o seu empregado?  
Imaginemos a casa do patrão suja, a loiça desorganizada, os seus carros sujos, os baldes de lixo transbordando, em fim todas as actividades, concernentes ao trabalhador, completamente abandonadas. O abandono dessas actividades pode trazer drásticas consequências na rotina do patrão.
Primeiramente ele sente-se desorganizado e por consequência disso a sua produtividade normal decresce. Pode surgir a questão: “o que uma coisa tem a ver com outra?”
O sucesso de qualquer indivíduo é alcançado a partir de aspectos que no dia-a-dia parecem ínfimos. Há coisas que “alguém” deve fazer por nós. Assim como o trabalhador obtém o seu salário através do patrão (dependência), o patrão também precisa dos serviços do trabalhador para que seja estável em termos de organização (dependência). Está-se perante uma relação de interdependência social (por outro lado também de troca social).
Os indivíduos acima descritos desempenham diferentes papéis (patrão e trabalhador), no entanto dependem um do outro e surge a troca social na medida em que há uma troca de serviços, cada um supre as necessidades do outro.
A interdependência verifica-se onde houver interacção: tendemos a nos afastar dos homens que fazem a recolha do lixo nas ruas da cidade, mas precisamos deles, a sua actividade é extremamente importante para a boa saúde da sociedade; os cobradores ( que fazem a recolha de dinheiro nos “chapas”) são muitas vezes desprezados, vistos como ignorantes, mas o que seria de nós sem eles? O sucesso do partido FRELIMO deve-se em parte a existência dos partidos da oposição, para provar que é o melhor partido deve sempre realizar acções que superem as dos outros em termos de apreciação do povo e não só. Esses são apenas alguns exemplos de que não importa o nível de escolaridade, todos têm um papel a desempenhar na sociedade. Por isso deve haver respeito para todos.

Ninguém caminha só, todos precisamos e dependemos um do outro, mesmo quando essa interdependência não é evidente!

   

domingo, 7 de abril de 2013

Jovens criam rede de computadores para partilha de informação


Um grupo de jovens residentes no bairro de Laulane, localizado na periferia da cidade de Maputo, criou uma ligação de computadores em rede para a partilha de informação e de internet. Esta rede, que envolve sete casas espalhadas por quatro quarteirões conecta nove computadores através de uma ligação por cabo. Esta ligação entre computadores foi criada no mês de Janeiro de 2013.

A ideia de criar uma rede de computadores entre vizinhos do mesmo bairro partiu de Gilberto Manhiça, um jovem de 20 anos de idade, estudante de informática. O primeiro e principal objectivo por detrás da criação desta rede foi de estabelecer um sistema de partilha de ficheiros (filmes, músicas, video-aulas, aplicativos, material acadêmico) de forma segura e abolir a partilha de vírus que se fazia por via de dispositivos removíveis. Para a materialização deste projecto, nove jovens mostraram interesse em participar,  onde cada um colaborou com o valor de 350,00 MT ($12) para a compra de cabos e switchers, material necessário para a implementação do referido projecto.

Após um período de um mês do funcionamento, o grupo decidiu fazer uma outra contribuição para incluir na rede local o serviço de internet. Para tal, contribuiram cada um o valor de 350,00MT com vista a adquirir o pacote de internet num dos provedores locais. De acordo com Gilberto, a implementação do serviço de internet nesta rede trouxe grandes benefícios, pois possibilitou com que estes pudessem fazer consultas, pesquisas e acessar a uma diversidade de conteúdos na internet tais como material escolar e redes mais amplas de sociabilidade como é o caso do Facebook. Uma outra vantagem da rede é o facto de conjuntamente juntarem esforços para o pagamento do pacote de internet que ao bolço de um cidadão normal é elevado. Recentemente o grupo introduziu o serviço de wireless para que os seus membros pudessem acessar a internet através de computadores portateis e telemóveis. Para o futuro, o grupo pretende expandir a rede com vista a integrar mais pessoas.

Para o caso particular de Gilberto, este projecto trouxe muitos ganhos. Ele pôde colocar em prática os conhecimentos adquiridos na sua formação, isto para além de ter ganho muita experiência. A chave para o sucesso desta rede de computadores entre vizinhos do mesmo bairro foi a seriedade por parte de todos os membros integrantes, o mesmo frizou.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Análise da Presença dos Partidos Políticos na Internet


               

No corrente ano de 2013, o cenário político moçambicano será marcado pela realização de eleições autárquicas que terão lugar no dia 20 de Novembro. Um número não estimável de partidos irá concorrer à presidência dos 21 municípios espalhados pelo país. Como já é tradição, as campanhas eleitorais são feitas no espaço físico – nos bairros, comunidades, distritos, etc. – empunhando-se cartazes e entoando-se canções aos partidos e aos líderes concorrentes. Mas existe um espaço que até hoje é pouco explorado pelas forças políticas nacionais, quer seja para fazer a propaganda política, quer seja para campanhas eleitorais: a internet. Embora os dados indicam que apenas cerca de 4% da população moçambicana – o equivalente a 600 000 habitantes - tem acesso a internet, verifica-se em contrapartida um rápido crescimento de usuários da internet nos últimos anos. O acesso à internet verifica-se com maior frequência nas cidades, onde se encontram indivíduos com elevado índice de escolaridade e com alto poder de influência. Daí a importância a dar-se a esse novo espaço de sociabilidade.

       A Página do Governo de Moçambique faz referência para a existência de 36 partidos políticos no nosso país (mas nota-se que a lista encontra-se desactualizada devido a não menção do Movimento Democrático de Moçambique – MDM -  partido político que concorreu nas eleições autárquicas e gerais de 2008). Destes, apenas três tem websites: A Frelimo, a Renamo e o MDM. Um dado interessante é de que estas três forças políticas tem actualizado com regularidade os seus websites.


Nas redes sociais, os três partidos acima mencionados tem também a sua presença. A Frelimo tem uma conta no Facebook e no Twitter. Embora seja a única força política no Twitter (com 551 seguidores), a última actualização da Frelimo data de 31 de Maio de 2012. No Facebook, o cenário é diferente. Este partido conta com mais de 5 mil amigos. O MDM conta na sua página do Facebook com 289 fãs. Não é possível saber quantos fãs ou amigos o partido Renamo tem no Facebook. Estas duas últimas forças políticas não tem qualquer presença no twitter.

Com base nos dados acima apresentados, observa-se que a presença das forças políticas na internet, em particular nas redes sociais ainda é fraca, reduzindo-se apenas a três partidos políticos. Num contexto em que cada vez mais pessoas vão ganhando acesso a internet, quer seja através dos computadores ou a partir dos telefones celulares, é extremamente necessário olhar-se para a internet como um espaço de sociabilidade muito importante, pelo facto de ser um local onde os cidadãos encontram-se mais livres para discutir assuntos políticos de forma aberta e menos censurada. Um outro aspecto importante a frisar é o facto de que na internet, o custo para realização de campanha eleitoral ser consideravelmente baixo e de sta forma poder contribuir para a redução dos gastos referentes a impressão de material de impressão, beneficiando de certa maneira o próprio ambiente.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Psicologia na Sociedade




Imagino que após ter lido o título acima, apareça-lhe a questão: porquê Psicologia na sociedade.

Simples: este blog visa debruçar sobre a situação da psicologia na sociedade moçambicana, abrangendo aspectos como:
O conceito desta ciência no seu verdadeiro sentido e na vertente do senso comum;
Aplicação da Psicologia nos diversos sectores da sociedade; será que as instituições moçambicanas têm a necessidade desta área de conhecimento?

Como pode a Psicologia intervir na melhoria da sociedade?
Toda sociedade é constituída por problemas (e não só), os quais podem ser estudados e limados através de diferentes abordagens. Pretendo lançar o meu olhar de cidadã para ver psicologicamente o que acontece, como acontece e porquê acontece na nossa sociedade.

Muitos são os cidadãos que desempenham estes dois papéis na sociedade, o que não é muito fácil, visto que as duas actividades muitas vezes exigem um grande esforço por parte de quem as desempenha. Mas, porquê estar a desempenhar os dois papéis simultaneamente?

-As razões podem ser diversas, mas eu acredito que a principal seja a busca pela independência, principalmente no que concerne aos jovens. Por outro lado, é também a busca de desafios (os indivíduos sabem de antemão que a tarefa não é fácil, mesmo assim encaram-na); a necessidade de mostrar responsabilidade para si mesmo e para a sociedade; para além de saber tirar proveito das oportunidades que surgem ao longo da vida. São muitos os que desejam desempenhar o papel de estudante ou de trabalhador, mas que por diversas razões não o fazem, então quem tem essa oportunidade sente-se no dever de não a desperdiçar. É gratificante quando consegue-se ter resultados satisfatórios nas duas actividades (o que exige muito esforço), aumenta a autoconfiança e sente-se que se está preparado para actuar na melhoria da sociedade.

Esta foi uma breve introdução do blog e começa assim o lançamento do “olho do cidadão” para uma visão psicológica dos acontecimentos.

“Muitas vezes atribuímos julgamentos negativos aos diversos comportamentos que vivenciamos (na sociedade) no quotidiano, porém esquecemo-nos de questionar-nos em relação ao que pode ter originado o comportamento e principalmente se o nosso julgamento é ou não verídico”!!!